O Alentejo dispõe de uma forte componente histórica, alicerçada pela presença de vários povos que ao longo dos séculos se instalaram nas suas terras e moldaram a sua cultura e tradições. Esta região é, assim, muito rica em vestígios árabes e romanos e prima pelos seus montes, aldeias, vilas e cidades, mas também pelos seus museus, igrejas, capelas e ermidas, que refletem esta diversidade de culturas. Para além da riqueza cultural, a sabedoria do povo alentejano torna-o ímpar na sua mestria em relacionar-se com a natureza, quer na cultura, quer na gastronomia. Importa salientar o cante alentejano, que define e identifica a alma deste povo. A região possui ainda várias áreas protegidas (como a Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha, a Reserva Natural do Estuário do Sado e o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina) e sítios incluídos na Rede Natura 2000, que se traduzem numa enorme riqueza ao nível da biodiversidade. A variedade de solos com diferentes aptidões agrícolas é um dos pontos fortes da região, pelo que a agricultura se assume como primordial na identidade do Alentejo, com destaque para a vitivinicultura e outros produtos de qualidade internacionalmente certificada. Aliando as potencialidades naturais e ambientais, o património arquitetónico, as artes e os ofícios tradicionais, este território tem vindo a evidenciar uma maior dinâmica no tecido económico, através da localização de empresas, da capacidade de investimento e da criação de emprego.
Património Gastronómico e Produtos Endógenos
A gastronomia deste território é um misto de sabores da terra, do mar e do rio. Da conjugação destas formas diferenciadas de recursos naturais resulta uma gastronomia rica e variada, mas em que sempre estão presentes os tradicionais temperos alentejanos, como a banha de porco, os coentros, os poejos, os orégãos, a hortelã, o alho, o pimentão, a salsa e o louro.
A pecuária é um dos setores mais relevantes no Alentejo e tem vindo a destacar-se sobretudo ao nível da produção de carne de vaca, designadamente, da Carnalentejana DOP e da Carne da Charneca DOP, proveniente da raça bovina preta, consumida grelhada ou em diversos pratos típicos. O Borrego do Baixo Alentejo IGP é um produto certificado, cuja produção se obtém a partir de borregos das raças autóctones Merino ou Campaniça. A Carne de Porco Alentejano DOP é obtida a partir de animais da raça suína alentejana, que se caraterizam pela sua pele preta. A sua carne é extraordinariamente saborosa, decorrente da alimentação do animal à base de bolota e erva, livremente pastada nos montados de sobro e azinho do Alentejo.
Os sabores tradicionais como o porco e o borrego servem de base a muitos dos pratos que integram a gastronomia deste território – Carne de Porco à Alentejana, Arroz de Bucho de Porco, Migas de Carne, Miolos de Porco à Alentejana, Chispe de Coentrada, Febras Recheadas de Mora, Assalhões, Lombetes Assados com Miga da Cozinha, Migas de Batata com Entrecosto, Pezinhos de Coentrada, Sarrabulho, Ensopado de Borrego, Borrego Assado no Forno e Cabeças de Carneiro Assadas. Importa ainda mencionar os enchidos de Mértola (chouriços de carne, palaio e chouriças pretas), a Linguiça do Baixo Alentejo IGP, o Paio de Beja IGP, o Presunto e Paleta do Alentejo DOP, o Presunto de Barrancos DOP, bem como os afamados e certificados enchidos de Portalegre, nomeadamente o chouriço, o painho, o paio enguitado, o lombo enguitado, o paio branco, a farinheira, a cacholeira e a morcela. Esta é também a área de produção do muito apreciado Lombo Branco de Portalegre IGP.
Ainda no capítulo das carnes, têm particular expressão as carnes de caça como a lebre, o coelho, a perdiz e o javali, que se multiplicam numa grande variedade de pratos e petiscos: Sopa de Lebre, Açorda de Perdiz, Lombinhos de Javali, Migas de Espargos, Arroz de Lebre, Lebre com Feijão Branco e Lebre (ou coelho bravo) Assada no Forno com Arroz. Os restaurantes locais apresentam também variadas receitas que traduzem a riqueza e diversidade dos recursos cinegéticos da região, podendo degustar-se especialidades como: Pombo Bravo à Dona Bia, Canja de Pombo Bravo, Ensopado de Veado, Veado com Castanhas, Empadas de Caça e Peito de Pato Bravo com Mostarda.

Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Odemira oferecem à região a riqueza dos seus peixes, que se integram em diferentes pratos, como as Caldeiradas e as Sopas de Peixe, os Ensopados de Safio e de Enguias, o Arroz de Tamboril, o Pitéu de Enguia e a Moreia dos Almocreves. Ao nível do marisco, pode-se identificar a Feijoada de Búzios, o Arroz de Caramujos, de Lapas, de Mexilhão ou de Marisco, a Salada de Búzios ou de Polvo e os Percebes. Na zona do Alto Alentejo, a atividade da pesca constitui um fator muito representativo no sistema alimentar da região, dando origem à criação de muitos pratos emblemáticos, como a Sopa de Achigã, o Achigã Grelhado, o Achigã com Açorda de Ovas, a Fataça Grelhada, o Lúcio-Perca Grelhado, as Enguias Fritas, o Ensopado de Enguias, o Arroz de Lampreia, a Fritada Mista, o Sável Frito, a Açorda de Ovas com Lúcio-Perca, a Sopa de Cação e a Carpa Assada. Um peixe muito utilizado na gastronomia alentejana é o cação, presente em iguarias como a Sopa de Cação ou o Cação Alimado (de coentrada).
Em tempos antigos, as ervas comestíveis silvestres constituíam, a par do pão, a base alimentar dos mais pobres. Acelgas, catacuzes, espargos e carrasquinhas são algumas das espécies mais frequentemente usadas. Tendo ainda por base alguns dos produtos hortofrutícolas da zona, identificam-se receitas típicas como as Migas de Feijão com Couve e Bacalhau Assado, o Feijão-Frade da Margem com Bacalhau Assado, a Açorda Alentejana, o Gaspacho, as Migas de Espargos com Carne Frita, a Sopa Seca e as Cilarcas com Ovos.
Neste território, é possível encontrar alguns dos melhores queijos tradicionais portugueses. Destacam-se o Queijo Mestiço de Tolosa IGP, o Queijo de Nisa DOP, o Queijo de Évora DOP e o Queijo de Serpa DOP. De salientar, ainda, os Azeites do Norte Alentejano DOP (obtidos a partir de azeitonas das variedades Galega, Blanqueta e Cobrançosa) e o Azeite de Moura DOP (fabricado a partir das azeitonas de Moura e Barrancos). Igualmente apreciadas são as Azeitonas de Elvas e Campo Maior DOP, a Cereja de S. Julião-Portalegre DOP, as Ameixas Doces d’Elvas DOP e a Castanha Marvão-Portalegre DOP.

O Alentejo é particularmente rico no que diz respeito à doçaria, incluindo a conventual. Entre os doces mais caraterísticos deste território, distinguem-se os Folhados de Gila, os Tosquiados, as Azevias, as Queijadas de Requeijão, a Tarte de Requeijão, o Bolo de Pão Finto, as Amêndoas Doces de Portalegre, o Bolo Teculameca, o Bolo da Sogra, o Leite Serafim de Portalegre, o Pudim da Cruz de Malta do Crato, os Barquinhos de Nisa, a Boleima, o Folar e as Queijadas de Castelo de Vide, as Alcomonias, o Nógado, as Popias, o Bolo de Mel, o Bolo de Massa de Pão, os Doces de Amêndoa e de Gila e o Bolo Cigano.
A par do mel, o pinhão é o principal ingrediente utilizado na doçaria típica alentejana. Com este ingrediente confeciona-se um dos ex-libris desta região – os doces de pinhão –, mas também a pinhoada, a tarte de pinhão e os rebuçados de pinhão.
De origem conventual, evidenciam-se as Trouxas-de-Ovos, os Pastéis de Toucinho, os Pastéis de Santa Clara, o Bolo de Bom Gosto do Convento da Esperança, o Bolo Príncipe de Beja, as Queijadas de Requeijão, o Manjar Branco do Convento de Santa Clara de Portalegre, os Rebuçados de Ovos, o Bolo Real, o Bolo Conde de Alcáçovas, a Enxovalhada, bem como o Bolo de Amêndoa do Convento da Vidigueira.

Ao nível dos vinhos, o Alentejo constitui uma das maiores regiões vitivinícolas de Portugal. Esta região, quente e seca, beneficiou de inúmeros investimentos no setor vitivinícola, o que se traduziu na produção de alguns dos melhores vinhos portugueses e, consequentemente, no reconhecimento internacional dos vinhos alentejanos.
Principais Eventos Gastronómicos
- Mostra Gastronómica do Peixe do Rio | ALANDROAL (7 a 16 de março 2025)
- Festival do Camarão Rio | ALCÁCER DO SAL (data por anunciar)
- Cante à Mesa | ALJUSTREL (24 de janeiro a 9 de fevereiro 2025)
- Feira do Cogumelo e do Medronho | ALMODÔVAR (data por anunciar)
- Ervas da Baronia | ALVITO (20 de janeiro a 28 de fevereiro 2025)
- Mostra Gastronómica | ARRAIOLOS (data por anunciar)
- FAE – Feira das Atividades Económicas | ARRONCHES (10 a 13 de julho 2025)
- Feira Franca | AVIS (25 a 27 de julho 2025)
- expoBARRANCOS – Feira do Presunto e dos Enchidos de Barrancos | BARRANCOS (11 a 13 de abril 2025)
- Silarca, Festival do Cogumelo | BEJA (7 e 9 de março 2025)
- Festa da Vinha e do Vinho | BORBA (data por anunciar)
- Festival das Sopas | CHAMUSCA (28 a 30 de março 2025)
- Quinzena do Sarapatel | CASTELO DE VIDE (8 a 21 de abril 2025)
- Feira de Artesanato e Gastronomia – Festival do Crato | CRATO (27 a 30 de agosto 2025)
- Rota do Cante (e da Gastronomia) | CUBA (4 a 8 de setembro 2025)
- Cozinha dos Ganhões | ESTREMOZ (data por anunciar)
- ÉvoraWine | ÉVORA (23 e 24 de maio 2025)
- Jornadas Gastronómicas do Feijão Frade da Ribeira de Margem | GAVIÃO (data por anunciar)
- Rota das Tabernas | GRÂNDOLA (7 a 28 de junho 2025)
- Quinzena Gastronómica da Castanha | MARVÃO (9 e 10 de novembro 2025)
- Festival do Peixe de Rio | MÉRTOLA (data por anunciar)
- Festival das Sopas | MONTEMOR-O-NOVO (data por anunciar)
- Mês das Migas | MORA (1 a 28 de fevereiro 2025)
- Olivomoura – Feira Nacional de Olivicultura | MOURA (22 a 25 de maio 2025)
- Nisa em Festa | NISA (24 a 27 de julho 2025)
- Feira do Porco Alentejano | OURIQUE (21 a 23 de março 2025)
- Feira de Doçaria Conventual e Tradicional de Portalegre | PORTALEGRE (28 a 30 de março 2025)
- Congresso das Açordas | PORTEL (21 de março a 6 de abril 2025)
- Quinzena Gastronómica, Congresso das Açordas de Portel | PORTEL (21 de março a 6 de abril 2025)
- Feira do Queijo do Alentejo | SERPA (21 a 23 de fevereiro 2025)
- Tasquinhas | SINES (11 de julho a 2 de agosto 2025)
- Mostra de Doçaria de Alcáçovas | VIANA DO ALENTEJO (data por anunciar)
- Vidigueira Vinho | VIDIGUEIRA (18 a 20 de abril 2025)