Situada no nordeste de Portugal, entre a Serra do Marão, o rio Douro e Espanha, a região de Trás-os-Montes e Alto Douro prima pela sua beleza natural e rural, evidenciada pela paisagem vínica, mas também pelos cereais, legumes e frutos que embelezam a natureza com diferentes cores ao longo do ano. Habitada desde a pré-história, a região possui um vasto património arquitetónico e cultural, sendo uma das mais ricas em termos de achados arqueológicos. Nesta região é ainda possível vivenciar várias experiências tradicionais, como participar nas vindimas, passear de burro e avistar rebanhos protegidos pelo cão de gado, ser “chocalhada” pelos caretos, assistir à dança dos pauliteiros, ouvir música ao som das gaitas de foles, aprender a falar mirandês ou até (re)viver as obras de Miguel Torga, Guerra Junqueiro, Trindade Coelho e Camilo Castelo Branco.
Património Gastronómico e Produtos Endógenos
Variada e colorida, a cozinha transmontana é o espelho da identidade da região. Além do vinho, em especial da Região Demarcada do Douro, nesta região produz-se azeite, mel, amêndoa, maçã, cereja, castanha, batata, cereais e cogumelos.
Um dos ex-libris gastronómicos de Trás-os-Montes é a Posta Mirandesa DOP, proveniente de bovinos da raça homónima. Destaca-se também a Carne Barrosã DOP e a Carne Maronesa DOP. O fumeiro assume também uma grande importância na região. Salienta‑se o presunto, a alheira, a chouriça, o salpicão, a linguiça, a bexiga, o gaiteiro, os azedos e o butelo. Com este último, prepara‑se um prato muito típico na região – o Butelo com Cascas (ou casulas). A Alheira de Mirandela é, por sua vez, o enchido regional mais consumido e conhecido no país.

Os produtos hortícolas e frutícolas, assim como a vinha e o vinho, relevam especial importância económica e paisagística nesta região. Embora o azeite e o vinho assumam o maior destaque, é possível encontrar outros produtos como o trigo, a amêndoa, o figo, a cereja, a noz e o mel. O Azeite de Trás-os-Montes, produto DOP, assim como as azeitonas são abundantemente utilizados nas tradições alimentares transmontanas, quer como ingrediente base de muitas receitas, quer como tempero. Pertence a esta região a Azeitona de Conserva Negrinha de Freixo DOP, consumida como acompanhamento de vários pratos tradicionais ou como aperitivo.
Por se inserir na Região Demarcada do Douro, a região de Trás-os-Montes e Alto Douro apresenta condições propícias à produção vinícola. Para além da vinha, a paisagem desta região é marcada pela presença das amendoeiras. A produção de amêndoa é, assim, muito significativa na região, sobretudo nos concelhos de Freixo de Espada à Cinta e Mogadouro, salientando-se a Amêndoa do Douro DOP. Quando trabalhadas e adoçadas, estas tornam-se o ingrediente principal de variados doces típicos, como é o caso da Amêndoa Coberta de Moncorvo.
A produção da castanha assume-se também como uma atividade estratégica na região, destacando-se a Castanha da Terra Fria DOP, a Castanha dos Soutos da Lapa DOP e a Castanha da Padrela DOP. Este produto encontra-se presente em várias tradições transmontanas, assim como receitas típicas, como é o caso do Javali no Pote com Castanhas.

Outra especialidade gastronómica da região são os Cuscos de Vinhais. Os cuscos, denominação local para o cuscuz, podem ter diferentes dimensões, sendo que o mais miúdo é usado na preparação de caldos ou sopas e na confeção dos cuscos doces com passas de uvas (iguaria semelhante ao arroz-doce). A batata (Batata de Trás-os-Montes IGP) veio substituir o nabo e a castanha nas tradições alimentares de Trás-os-Montes, pelo que foi chamada de “castanha da terra”, tendo provocado grande transformação na dieta alimentar regional. Evidencia-se, ainda, a existência de várias espécies de cogumelos. Surgindo no início do outono e da primavera, estes ocupam tradicionalmente um lugar importante nas mesas transmontanas, servindo-se como acompanhamento de pratos de carne, sobretudo de caça, ou como substituto da própria carne. Os cogumelos de Mogadouro são dos mais reconhecidos, pelo que o concelho se assume como a capital do cogumelo, tendo um monumento em granito alusivo ao mesmo e à micologia.
Os rios da região são também ricos em truta, escalo e barbo. As Migas de Peixe do Rio, inicialmente um prato de subsistência, adquiriram fama e constituem hoje uma mais-valia turística e económica para a região. Evidenciam-se ainda as Trutas à Moda de Boticas, as Trutas de Escabeche e as Trutas do Rio Cávado.
A natureza de Trás-os-Montes é ainda generosa em espécies cinegéticas como o coelho, a lebre, o javali, a raposa, o tordo, a perdiz, o pombo e a rola. Salienta-se o Arroz de Lebre com Couves, tradicional de Freixo de Espada à Cinta, bem como a Lebrada com Feijão Branco, o Coelho Bravo Guisado, a Perdiz Estufada com Presunto, o Guisado de Javali e os Tordos Assados.
Amassado à mão e cozido em forno de lenha, há ainda a salientar o pão de centeio. Ao nível dos queijos, evidencia-se o Queijo de Cabra Transmontano DOP e o Queijo Terrincho DOP.
Nos doces, a Bola Mirandesa constitui uma referência na região, sendo especialmente consumida na Páscoa. Destaca-se ainda o tradicional doce de castanhas, os folares, as queijadas e os bolos de mel. Ao nível conventual, os Pitos de Santa Luzia e as Cristas de Galo, ambos originários do Convento de Santa Clara, são os mais típicos, assim como os Papos de Anjo de Mirandela.

No que respeita às bebidas, salienta-se a Aguardente de Mel, um digestivo feito a partir de favos de mel da região, espremidos e fermentados, e o “Vinho dos Mortos”. Este surgiu quando, durante as invasões francesas, os habitantes desta região esconderam o vinho debaixo da terra, para que não fosse encontrado pelos invasores, tendo constatado que a qualidade deste aumentava por envelhecer debaixo do solo.
Principais Eventos Gastronómicos
- Festa da Cereja | ALFÂNDEGA DA FÉ (6 a 8 de junho 2025)
- Feira da Maçã | ARMAMAR (17 a 19 de outubro 2025)
- Feira Gastronómica do Porco | BOTICAS (9 a 12 de janeiro 2025)
- Festival do Butelo e das Casulas | BRAGANÇA (28 de fevereiro a 5 de março 2025)
- Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite | CARRAZEDA DE ANSIÃES (29 a 31 de agosto 2025)
- Sabores de Chaves – Feira do Fumeiro | CHAVES (14 a 16 de fevereiro 2025)
- Douro & Porto Wine Festival | LAMEGO (4 e 5 de julho 2025)
- Rota Gastronómica do Javali | MACEDO DE CAVALEIROS (30 de janeiro a 2 de fevereiro 2025)
- Feira do Petisco, do Vinho e dos Produtos Regionais | MESÃO FRIO (data por anunciar, habitualmente no último fim-de-semana de julho)
- Festival dos Sabores Mirandeses | MIRANDA DO DOURO (14 a 16 de fevereiro 2025)
- Feira da Alheira de Mirandela | MIRANDELA (27 de fevereiro a 2 de março 2025)
- Feira da Terra | MONDIM DE BASTO (7 a 10 de agosto 2025)
- Feira do Fumeiro de Montalegre | MONTALEGRE (23 a 26 de janeiro 2025)
- Douro Wine City | PESO DA RÉGUA (7 a 10 de junho 2025)
- Fim-de-Semana dos Milhos | RIBEIRA DE PENA (28 a 2 de março 2025)
- Feira do Vinho e do Azeite | SABROSA (data por anunciar)
- Festa dos Saberes e Sabores do Douro | SÃO JOÃO DA PESQUEIRA (22 e 23 de fevereiro 2025 e 1,2,8 e 9 de março 2025)
- Feira do Folar de Valpaços | VALPAÇOS (11 a 13 de abril 2025)
- Mostra Gastronómica e Feira de Produtos de Outono | VILA POUCA DE AGUIAR (data por anunciar)
- Feira do Fumeiro de Vinhais | VINHAIS (6 a 9 de fevereiro 2025)