Do Mar à Serra: uma viagem gastronómica pelas Beiras (Litoral, Alta e Baixa)

Beira Litoral

Apesar da sua posição litoral, a Beira Litoral apresenta acentuados contrastes entre a área mais litoral e a área mais interior (a nível geológico, topográfico, etc.). Diz-se que os monumentos desta região refletem a história do país, evidenciando-se o românico dos primórdios da nação na Sé Velha de Coimbra, o gótico da Batalha, os vários exemplos de arte rupestre no distrito de Aveiro e as ruínas romanas de Conimbriga. Para além da considerável riqueza arquitetónica, é nesta região que se encontra o mais antigo estabelecimento de ensino universitário do país e um dos mais antigos da Europa – a Universidade de Coimbra. A localização geográfica, assim como a acessibilidade aos centros urbanos de Lisboa e Porto proporcionam um significativo desenvolvimento da atividade industrial e do comércio. Não obstante, a agricultura e a pecuária são também importantes no tecido económico regional, destacando-se as produções nas áreas irrigadas dos vales do Mondego e do Vouga, bem como o setor da produção de leite. No interior, a floresta constitui um dos principais recursos das áreas rurais.

Património Gastronómico e Produtos Endógenos da Beira Litoral

A gastronomia da Beira Litoral é rica em sabores e variedade, sendo composta por produtos de excelência do mar e da terra. Entre o variado património gastronómico local destaca-se o Cabrito da Gralheira IGP, proveniente de animais da raça Serrana e a Carne Marinhoa DOP, proveniente de uma raça autóctone oriunda das terras banhadas pelos estuários do Vouga, Cértima e Antuã. Igualmente afamado é o Leitão Assado da Bairrada. O leitão sempre constituiu um dos meios de subsistência dos residentes desta região, tendo-se tornado numa iguaria de festas religiosas e pagãs, cujo segredo reside no modo próprio de o criar e assar.

A Chanfana de Borrego ou Cabrito é também um prato típico das Beiras, sendo confecionada com carne de cabra velha e vinho tinto. De forma a aproveitar todos os recursos, os restos da chanfana costumam ser utilizados para fazer sopa e as vísceras da cabra para confecionar Negalhos, uma outra receita típica da região. A Vitela Assada no Forno a Lenha, acompanhada com arroz no forno, constitui uma das especialidades mais apreciadas da zona, designadamente em Albergaria-a-Velha. Importa ainda referir o Bucho Recheado, tradicionalmente consumido para festejar a matança do porco. Carneiro à Lampantana (assado na caçoila de barro preto), Chouriço com Grelos e Rojões são outros dos pratos típicos apreciados na Beira Litoral.

A prática agrícola no território deu origem a receitas como a Sopa Gandaresa, o Arroz Malandro de Cabidela, o Pato à Moda do Mondego ou as Papas Laberças. A Morcela de Arroz de Leiria é também uma das iguarias mais famosas da região, sendo única pelo modo de preparação e pela sua antiguidade.

A excelente qualidade da água da costa dota os peixes e mariscos de elevado sabor e valor nutricional. Entre as principais receitas de peixe da região estão a Caldeirada de Enguias, as Enguias de Escabeche, a Raia em Molho de Pitau, as Espetadas de Mexilhão e as Caldeiradas de vários peixes da Ria e do mar. As populações mais rurais aproveitam ainda a proximidade do rio, sendo a lampreia um dos peixes mais apreciados. É o caso do Arroz de Lampreia de Montemor-o-Velho, que utiliza o arroz carolino produzido nos arrozais do Baixo Mondego, e da Lampreia à Moda de Penacova. As trutas pescadas são também utilizadas em várias receitas – Truta de Escabeche, Truta Frita, Truta no Forno, Truta Grelhada e Truta no Forno com Presunto.

A Ria de Aveiro é extremamente rica em amêijoas, berbigão, camarão-bruxo, dourada, enguias, linguado, ostras e robalo. Estes podem ser utilizados para confecionar diversos pratos da gastronomia da região, como por exemplo, o Arroz de Berbigão, a Sopa de Peixe, os Pastelões de Camarão-Bruxo, a Caldeirada de Enguias à Moda de Aveiro, o Arroz de Marisco, a Cataplana de Marisco e o Robalo à Figueirense. A produção nacional de bacalhau salgado seco e de todos os produtos associados e derivados concentra-se na Região de Aveiro. Ao nível do receituário salientam-se os Buchos de Bacalhau, o Bacalhau Assado nas Brasas e o Bacalhau com Natas.

O chícharo, uma leguminosa semelhante ao tremoço e de gosto macio, é tradicionalmente cultivado e consumido em Santa Catarina da Serra, considerada a capital do chícharo. Este pode ser confecionado de diferentes formas, mas importa salientar o Chícharo com Bacalhau Assado. Importa ainda mencionar a Sopa ou Saldo de Castanhas, frequentemente confecionada nas aldeias da serra, devido à abundância de castanheiros. Um outro ex-libris da região é o Pão de Ul, nome que lhe advém da freguesia de Ul, no concelho de Oliveira de Azeméis. Também o Pão de Vale de Ílhavo e o Pão da Mealhada assumem algum destaque a este nível. 

No que respeita aos doces, as Tigeladas são das sobremesas mais apreciadas, assim como o Arroz Doce. Estes estão sempre presentes nas ementas dos casamentos, dos batizados ou nos dias festivos como o Natal, a Páscoa ou a festa da aldeia.

Principais Eventos Gastronómicos da Beira Litoral

  • Festa do Leitão | ÁGUEDA
  • Festival Pão de Portugal | ALBERGARIA-A-VELHA (30 de maio a 1 de junho 2025)
  • Alvaiázere Capital do Chícharo / Festival Gastronómico | ALVAIÁZERE (data por anunciar)
  • Feira da Vinha e do Vinho | ANADIA (18 a 22 de junho 2025)
  • Mostra Gastronómica – Sabores de Ansião | ANSIÃO (data por anunciar)
  • Feira das Freguesias – Mostra Gastronómica | ARGANIL (6 a 8 de junho 2025)
  • Aveiro, Sabores com Tradição | AVEIRO (todo o ano)
  • Chefs on Fire | AVEIRO (18 a 20 julho 2025)
  • FIABA – Feira de Artesanato e Gastronomia da Batalha | BATALHA (6 a 10 de junho 2025)
  • Mostra Gastronómica da Caçoila | CANTANHEDE (21 a 23 de março 2025)
  • Festa da Fava | CANTANHEDE (9 a 11 de maio 2025)
  • Feira do Vinho e da Gastronomia de Cordinhã | CANTANHEDE (6 a 10 de junho 2025)
  • EXPOFACIC – Feira Agrícola Comercial e Industrial de Cantanhede | CANTANHEDE (31 de julho a 10 de agosto 2025)
  • Festival do Galo “à Gandareza” | CANTANHEDE (data por anunciar)
  • Festival do Negalho da Bairrada | CANTANHEDE (data por anunciar)
  • Mostra de Doçaria Conventual e Regional | COIMBRA (22 e 23 de março 2025)
  • Sabores de Condeixa – Semana do Cabrito | CONDEIXA-A-NOVA (3 a 11 de maio 2025)
  • Fim de semana da Lampantana | MORTÁGUA (data por anunciar)
  • Tasquinhas de Santo António | ESTARREJA (6 a 15 de junho 2025)
  • Festival Gastronómico | FIGUEIRA DA FOZ (data por anunciar)
  • Feira de Doçaria Conventual | FIGUEIRÓ DOS VINHOS
  • Páscoa de Sabores | GÓIS (17 a 20 de abril 2025)
  • Festival do Bacalhau Português | ÍLHAVO (13 a 17 de agosto 2025)
  • Festa do Pão | ÍLHAVO (28 a 30 de março 2025)
  • Festival do Marisco da Costa Nova | ÍLHAVO (data por anunciar)
  • Festival da Sardinha da Costa Nova | ÍLHAVO (data por anunciar)
  • “Vamos aos Cricos! – Festival Gastronómico de Produtos da Ria” | ÍLHAVO (29 de março a 4 de maio 2025)
  • Chícharo da Serra – Festival Gastronómico e Cultural | LEIRIA (13 a 17 de novembro 2025)
  • Feira do Mel e da Castanha | LOUSÃ (data por anunciar)
  • Feira de artesanato e gastronomia | MEALHADA (7 a 15 de junho 2025)
  • Mostra Gastronómica da Região da Gândara | MIRA (data por anunciar)
  • Mira à Mesa | MIRA (22 a 30 de março 2025)
  • Feira dos Grelos | MIRA (16 a 18 de maio 2025)
  • Semana Gastronómica da Chanfana | MIRANDA DO CORVO (19 a 27 de abril 2025)
  • Festival do Arroz e da Lampreia / Sabores do Campo e do Rio | MONTEMOR-O-VELHO (14 a 16 e 21 a 23 de março 2025)
  • Festa da Enguia | MURTOSA (data por anunciar)
  • Mercado à Moda Antiga | OLIVEIRA DE AZEMÉIS (17 e 18 de maio 2025)
  • ExpoBairrada | OLIVEIRA DO BAIRRO (2 a 6 de julho 2025)
  • Festival do Pão-de-Ló de Ovar | OVAR (data por anunciar)
  • Penacova à Mesa | PENACOVA (1 a 9 de março 2025)
  • FAGRIP – Feira Agrícola e Industrial de Penela / Feira das Nozes | PENELA
  • Feira Nacional de Artesanato e Tasquinhas | POMBAL (data por anunciar)
  • Festa da Lampreia e da Vitela | SEVER DO VOUGA (1 a 9 de março 2025)
  • Feira Nacional do Mirtilo | SEVER DO VOUGA (27 a 29 de junho 2025)
  • Festival das Sopas & Arroz Doce | SOURE (24 a 27 abril 2025)
  • Vagos Sensation Gourmet | VAGOS (4 a 13 de julho 2025)
  • Festival da Chanfana | VILA NOVA DE POIARES (10 a 20 de janeiro 2025)

Beira Alta

Com cerca de 8 500 km2, a Beira Alta é uma região planáltica, de altitude média, cortada por vales fluviais e rodeada por várias serras (da Estrela, de Montemuro, de S. Macário, da Gralheira, do Caramulo e do Buçaco). Ora revestida de um manto branco, ora de um manto verde, a Beira Alta é uma terra de rebanhos abastados de verdadeiras pradarias e uma terra de História, rica em acontecimentos e heróis, como Viriato, o “mais magnânimo dos reis da terra Ibérica”. Detentora de condições naturais singulares, esta é também (re)conhecida pela fauna e flora, pelos habitats que conservam e preservam espécies únicas, pelo Parque Natural da Serra da Estrela, pela Reserva Natural da Serra da Malcata, entre outros. O território tem ainda dois espaços que integram a Rede Natura, como Sítios de Importância Comunitária pertencentes à região biogeográfica mediterrânica (o Sítio do Rio Paiva e o Sítio do Cambarrinho). As principais indústrias desta zona são os lanifícios, os laticínios e o fabrico de produtos alimentares.

Património Gastronómico e Produtos Endógenos da Beira Alta

A gastronomia tem, neste território, uma grande genuinidade e diversidade. Fruto das condições naturais, a região oferece diversos produtos tradicionais de qualidade, cujo ex-libris é o Queijo Serra da Estrela DOP. A pastorícia é, assim, uma atividade de extrema relevância na região. Para além do Queijo Serra da Estrela DOP, existe o Requeijão Serra da Estrela DOP, que resulta do aproveitamento do soro sobrante do fabrico do queijo, podendo derivar do leite de ovelha das raças Bordaleira Serra da Estrela e Churra Mondegueira ou de cabra de raça Serrana.

No que se refere à produção animal, importa mencionar a Vitela de Lafões IGP, o Cabrito da Gralheira IGP e o Borrego da Serra da Estrela DOP. A vitela de Lafões resulta do cruzamento das raças autóctones mirandesa e arouquesa e, graças à vegetação e ao microclima da região, a carne é muito macia, saborosa e suculenta. Na sua confeção, destaca-se a Vitela Assada em Forno de Lenha e o Espeto à Lafões. O Cabrito da Gralheira tem uma carne firme, dura e muito resistente ao corte. As cabras são utilizadas para confecionar chanfana e o cabrito é geralmente assado no forno, recheado com as miudezas e com os enchidos da região. Os borregos são também muito utilizados, dando origem a diversas receitas regionais, como: Borrego de Escabeche, Arroz de Miúdos de Borrego, Canja de Borrego, Borrego Assado em Forno de Lenha, Borrego Estufado ou Costeletas de Borrego Fritas.

Uma das especialidades gastronómicas do concelho de Mortágua é a Lampantana, confecionada com carne de ovino e Vinho Tinto do Dão. O concelho de Oliveira de Frades prima, por sua vez, pelo enraizamento do setor avícola, nomeadamente na criação de Frangos do Campo. Também a caça tem a sua relevância, sendo o coelho bravo, o javali, a perdiz e a lebre algumas das espécies preferidas. A este nível sobressaem pratos como as Perdizes em Molho de Vilão, o Pombo d’Água, o Coelho à Caçador e o Arroz de Lebre.

Quanto aos enchidos, o Bucho Raiano, no Sabugal, e a Morcela da Guarda assumem um papel de relevo pela autenticidade e enraizamento nos costumes da população. Contudo, existem outros – o chouriço, a farinheira, a morcela de sangue, a alheira, o paio e a paiola.

A presença dos rios Mondego, Dão, Dinha e Criz e outros pequenos percursos de água na região fez com que a pesca assumisse uma função essencial na vida das populações locais. Atualmente, esta constitui uma atividade com caráter de lazer e de desporto, pescando‑se habitualmente barbos, pimpões, carpas, achigãs, percas, bogas e trutas. No que concerne aos pratos de peixe, destacam-se a Truta de Escabeche e o Peixe do Rio com Molho de Escabeche. 

Nas sopas importa mencionar o Caldo de Grão, composto por grão-de-bico, carne de porco (pé, barriga e orelha), louro, cebola, azeite, alho, noz-moscada, presunto ou chouriço e macarrão. O Caldo de Vagens Secas é também frequente, assim como as Papas Laberças.

Entre os produtos alimentares de distinta qualidade da região, destaque ainda para a Castanha dos Soutos da Lapa DOP, o azeite, o centeio, o milho, a amêndoa, o mel e os produtos silvestres (meruges e cogumelos). Este território apresenta ainda uma vasta gama de fruteiras, das quais se destaca a Maçã Bravo de Esmolfe DOP, produzida fundamentalmente nos concelhos de Viseu, São Pedro do Sul e Vila Nova de Paiva. Salientam-se ainda os citrinos de Sejães e de Valadares (S. Pedro do Sul) e a Pêra Passa de Viseu. Nas variedades de pão (de milho, de mistura, de centeio), destaca-se a Broa de Vil de Moinhos.

A doçaria deste território é também muito diversa. Evidenciam-se as Filhós à Moda da Beira Alta, as Cavacas de Pinhel, o Bolo de Folhas de Trancoso, o Bolo de Castanhas, os Bolos de Escalhão, as Sardinhas Doces de Trancoso, as Castanhas de Ovos de Viseu, os Caçoilinhos do Vouga, os Beijinhos, o Pão de Ovos e os Pastéis de Vouzela. A sobremesa de eleição é o Requeijão com Doce de Abóbora, apesar disso, muitas outras sobremesas podem ser desfrutadas na região: Leite-Creme, Caldo de Abóbora com Leite, Arroz Doce à Moda da Aldeia, Pudim de Requeijão ou de Pão, Papas de Milho, Papas de Carolo, entre outras. O Bolo de Cornos, também conhecido por Bolo de 24 Horas ou Bolo Doce da Páscoa, é o doce mais caraterístico do concelho de Mortágua. A Torta de Laranja é muito confecionada no concelho de Tondela, sobretudo devido à predominância deste fruto na região. A Tigelada do Caramulo constitui também uma das sobremesas mais típicas.

Na vinicultura, o Vinho do Dão DOC é um dos produtos de destaque. Os vinhos brancos, com pouco álcool, são frutados, ricos em acidez málica e possuem caraterísticas que os aproximam dos Vinhos Verdes. Os vinhos tintos são cintilantes, encorpados, possuem elevada acidez fixa e o envelhecimento torna-os suaves e aveludados.

Principais Eventos Gastronómicos da Beira Alta

  • Certame Gastronómico do Míscaro | AGUIAR DA BEIRA (data por anunciar)
  • Feira de Caça e Pesca Rural | ALMEIDA (31 de janeiro a 2 de fevereiro 2025)
  • Sabores da Transumância | CASTRO DAIRE (21 e 22 junho 2025)
  • Feira do Queijo | CELORICO DA BEIRA (21 a 23 de fevereiro 2025)
  • Festival do Requeijão | CELORICO DA BEIRA (6 de abril 2025)
  • Feira Farta | GUARDA (data por anunciar)
  • Mercado do Queijo Serra da Estrela | GOUVEIA (29 e 30 de março 2025)
  • Feira dos Santos à Mesa (Feira das Febras) | MANGUALDE (data por anunciar)
  • Festival das Sopas | MOIMENTA DA BEIRA (data por anunciar)
  • Festival do Arroz Doce | MOIMENTA DA BEIRA (24 e 25 de maio 2025)
  • Fim-de-Semana da Lampantana | MORTÁGUA (data por anunciar)
  • Feira do Vinho do Dão | NELAS (data por anunciar)
  • Festival do Frango do Campo | OLIVEIRA DE FRADES (16 a 20 de julho 2025)
  • Borrego à mesa | OLIVEIRA DO HOSPITAL (31 de janeiro a 2 de fevereiro 2025)
  • Festa do Queijo | OLIVEIRA DO HOSPITAL (8 e 9 de março 2025)
  • Feira do Pastor e do Queijo | PENALVA DO CASTELO (8 e 9 de fevereiro 2025)
  • Mercado Magriço | PENEDONO (data por anunciar)
  • Feira das Tradições e Atividades Económicas | PINHEL (28 de fevereiro a 2 de março 2025)
  • Capítulo e Entronização da Confraria do Bucho Raiano | SABUGAL (1 de março 2025)
  • Mostra das Broinhas de Santa Columba | SANTA COMBA DÃO (17 a 19 de abril 2025)
  • Feijão.com(e) – Festival do Feijão | SÃO PEDRO DO SUL (data por anunciar)
  • Feira do Míscaro | SÁTÃO (data por anunciar)
  • Feira do Queijo da Serra da Estrela | SEIA (1 a 4 de março 2025)
  • Festival das Sopas | SERNANCELHE (14 a 16 fevereiro 2025)
  • Tábua de Queijos e Sabores da Beira | TÁBUA (22 e 23 de fevereiro 2025)
  • Mostra Gastronómica de São Miguel | TAROUCA (data por anunciar)
  • Semana Gastronómica do Cabrito e da Serra do Caramulo | TONDELA (data por anunciar)
  • Feira do Fumeiro | TRANCOSO (28 de fevereiro a 2 de março e 8 a 9 de março 2025)
  • Feira do Fumeiro | VILA NOVA DE PAIVA (8 e 9 de março 2025)
  • Festival Gastronómico da Vitela de Lafões | VOUZELA (23 a 25 de maio 2025)

Beira Baixa

A Beira Baixa abrange uma área de aproximadamente 7 800 km2 e apresenta um relevo montanhoso, com destaque para as serras da Estrela e da Gardunha. Apesar disso, encontram-se também áreas aplanadas, como é o caso da Cova da Beira e de Idanha-a-Nova. De um modo geral, a paisagem da Beira Baixa é constituída por pinhal, serra e água, mas existem algumas áreas protegidas, como o Parque Natural da Serra da Estrela, o Sítio da Gardunha, a Paisagem Protegida de Açor, o Parque Natural do Tejo Internacional e a Reserva Natural da Serra da Malcata. O território integra ainda o Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, o primeiro geoparque português. Ao nível do património cultural, merecem destaque o Soterrado, em Idanha-a-Velha, os castelos, alguns dos quais de fundação romana ou árabe, e algumas igrejas e capelas. Os vestígios arqueológicos são também numerosos, encontrando-se ruínas de pontes, castros, muralhas, antas e troços de estradas do período romano e de períodos anteriores. Distingue-se ainda, nesta região, duas das Aldeias Históricas de Portugal – Idanha‑a‑Velha e Monsanto. O setor agrícola continua a desempenhar um papel importantíssimo na economia da região, nomeadamente na produção de vinho, azeite e queijo. Ainda, em termos económicos, o território encontra-se muito ligado à floresta, com especial destaque para o setor da madeira. Dada a riqueza natural e patrimonial do território, aliada à excelência dos produtos locais, à gastronomia e ao artesanato, o turismo é uma atividade em crescimento nesta região.

Património Gastronómico e Produtos Endógenos da Beira Baixa

A riqueza e qualidade dos produtos endógenos da Beira Baixa são a base de um vasto e diversificado universo gastronómico. Um dos ex-libris da região é o Cabrito da Beira IGP, sendo que tradicionalmente, os cabritos são consumidos assados ou fritos nas festividades da Semana Santa. As cabras velhas são, por sua vez, utilizadas para a confeção da Chafana. Destaca‑se ainda o Cabrito Estonado, cuja confeção demora três dias. 

Outros pratos caraterísticos da região são os Borelhões, Burulhões ou Burrilhões, feitos a partir das tripas e bucho de cabra, os Ensopados e Assados de Cabrito ou Borrego, o Bucho de Porco Recheado, o Arroz de Fressura e a Panela do Forno. A caça é também um elemento significativo na gastronomia local, destacando-se os pratos de lebre, coelho, tordos, perdiz e javali.

Os peixes do rio são muito apreciados e com eles se preparam diversas receitas, como as Sopas ou Migas de Peixe, o Peixe Frito ou de Escabeche e a Cabidela de Lampreia. Ainda no que respeita aos pratos de peixe, destaca-se o Bacalhau à Vila de Rei, o Bacalhau à Cobra e o Achigã Grelhado ou Frito.

A região é ainda uma importante produtora de vinhos, azeites, queijos, cereais hortofrutícolas e plantas silvestres. Do leite de caprinos e ovinos preparam-se os Queijos da Beira Baixa DOP (Queijo de Castelo Branco, Queijo Amarelo da Beira Baixa, Queijo Picante da Beira Baixa e Queijo de Ovelha Serra da Estrela). Ao nível do azeite, evidencia-se o Azeite da Beira Interior DOP. São muitas as plantas silvestres utilizadas na alimentação das populações locais da região: as acelgas, os saramagos, as beldroegas, as leitugas, as merujas, as alabaças, os espargos, os agriões e espinafres silvestres e os cogumelos. A acelga é uma planta muito utilizada em receitas típicas como: as Acelgas Fritas, o Esparregado de Acelgas ou a Sopa de Acelgas. Importa ainda salientar a cherovia, que pode ser apresentada sob diversas formas: cozida, em guisados, em sopas ou fritas. No que respeita aos frutos, existem na região três que merecem destaque – a Cereja da Cova da Beira IGP, o Pêssego da Cova da Beira IGP e a Maçã da Cova da Beira IGP.

A doçaria deste território integra especialidades como a Tigelada, os Borrachões, o Bolo de Festa/Páscoa, os Biscoitos de Azeite, as Bicas e as Papas de Carolo. Outros doces típicos, deste território, são a Bolacha de Cerveja, os Biscoitos de Leite e os Borrachões, típicos bolos secos confecionados à base de vinho, azeite, açúcar e aguardente.

Ao nível das bebidas, salienta-se o Vinho Callum, um vinho branco exclusivo de Oleiros, com baixo teor alcoólico e muito ligeiro. Na Sertã, destaca-se a Aguardente de Medronho da Sertã que pode ser servida como digestivo e é produzida em alambiques locais, aproveitando a existência abundante de medronheiros na região.

Principais Eventos Gastronómicos da Beira Baixa

  • Feira do Azeite | CASTELO BRANCO (data por anunciar)
  • Sabores de Perdição | CASTELO BRANCO (19 a 22 de junho 2025)
  • “Fundão, Aqui come-se bem” – Sabores da Cereja | FUNDÃO (1 a 30 de junho 2025)
  • Festival do Azeite e Fumeiro | IDANHA-A-NOVA (11 a 13 de abril 2025)
  • Mostra de Artesanato, Gastronomia e Atividades Económicas | MAÇÃO (2 a 6 de julho 2025)
  • Festival do Cabrito Estonado e do Vinho Callum | OLEIROS (11 a 13 de abril 2025)
  • Capítulo da Real Confraria do Maranho | PAMPILHOSA DA SERRA (data por anunciar)
  • Festa das Varas do Fumeiro | PENAMACOR (24 a 26 de janeiro 2025)
  • Festival de Gastronomia do Maranho | SERTÃ (17 a 20 de julho 2025)
  • Feira de Enchidos, Queijo e Mel | VILA DE REI (26 de julho a 3 de agosto 2025)
  • Festival das Sopas e Petiscos | VILA DE REI (29 e 30 de março 2025)
  • “Feira dos Sabores do Tejo” | VILA VELHA DE RÓDÃO (27 a 29 de junho 2025)

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