Entre Mosteiros, Vinhas e Mariscos: uma viagem gastronómica pela Estremadura

A Estremadura é conhecida por ser uma região de gente hospitaleira, constituída por um reconhecido património histórico e cultural. Destacam-se monumentos como a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, o Mosteiro de Alcobaça, os Castelos de Óbidos, Torres Vedras, Alenquer, Palmela e Sesimbra, a Fortaleza de São Filipe, o Convento da Arrábida, o Santuário do Cabo Espichel, entre muitos outros. A par deste património, quintas, palácios e adegas conjugam os encantos locais com as artes e os ofícios tradicionais. Além disso, o território carateriza-se também pela grande diversidade em termos de recursos naturais. Desde cedo que os habitantes desta região se dedicam à atividade agrícola, sendo que entre as principais atividades está a produção de animais (bovinos, ovinos, caprinos e suínos). A criação de bovinos destina-se, não só à produção de leite e derivados, mas também à criação de gado para as touradas, muito apreciadas nesta zona do país. Do litoral à serra, o povo da Estremadura é muito díspar em culturas e tradições. Nesta região, as romarias podem não ter a vivacidade e os tons alegres das romarias do Norte, mas reúnem, sem dúvida, grandes multidões. Por incluir Lisboa, a capital do país, no seu território, a região alimenta uma grande parte da economia nacional. Além de possuir uma enorme variedade de pessoas e empresas, esta constitui também o maior centro de serviços do país.

Património Gastronómico e Produtos Endógenos

A cozinha da Estremadura, que revela variadas riquezas do mar, dos rios e da terra, não se impõe pela personalidade, mas sim pela sua diversidade: dos pratos derivados da “matança do porco”, ao cabrito no forno ou ao coelho guisado com arroz até aos produtos do mar, que marcam algumas das tradições gastronómicas mais emblemáticas da região.

Devido à sua evidente ligação ao mar, a atividade piscatória revela grande importância na economia e gastronomia da região. Destacam-se as célebres caldeiradas de Peniche e de Sesimbra, os pargos e robalos de Peniche e da Nazaré (cozidos ou assados no forno), o peixe espada preto de Sesimbra, as ostras de Setúbal, as enguias e amêijoas da Lagoa de Óbidos e os mariscos dos viveiros de Porto de Barcas, na Lourinhã (como a Lagosta da Costa Atlântica). Na Lagoa de Óbidos verifica-se ainda a existência de uma rica fauna piscícola, que permitiu o desenvolvimento da pesca artesanal e da apanha de marisco. De entre as várias iguarias locais destacam-se os Choquinhos à Lagoa de Óbidos, o Mexilhão à Marinheiro, as Navalhas à Fisgote, as Enguias Fritas à Galricho, a Caldeirada de Enguias à Pescador, o Berbigão e o Lingueirão.

Ao nível das carnes, um dos mais afamados pratos típicos da região é o Frango na Púcara. Para além deste, evidencia-se, em Torres Vedras, o Arroz de Matança e a Cachola de Porco, resultantes da tradicional matança do porco, nas Caldas da Rainha o Cozido à Portuguesa e, um pouco por todo o território, os enchidos como os negritos, as farinheiras, os chouriços e as morcelas de arroz. A criação doméstica de pombos (borrachos) era habitual no concelho de Palmela, tendo dado origem à receita de Pombo Estufado, que era consumido sobretudo em dias de festa. 

A Sopa do Vidreiro, também conhecida por Canja de Bacalhau, é provavelmente a tradição gastronómica mais antiga da Marinha Grande. Trata-se de uma sopa substancial, confecionada com bacalhau, ovo, pão, broa e batata. A Sopa de Saramagos é confecionada a partir das folhas e do caule do saramago, que é conhecido noutras regiões do país como rábano-silvestre, rábano-bastardo ou cabresto.

Por ser uma região de terras férteis, a Estremadura é rica em produtos agrícolas (fruta, legumes, cereais, tomates, azeite, vinho, etc.), destacando-se a produção da Pera Rocha do Oeste DOP, da Maçã de Alcobaça IGP e da Maça Riscadinha de Palmela DOP, ex-libris da região que alcançaram já certificação e prestígio internacional. A abundância de plantas aromáticas (alecrim, murta, esteva, rosmaninho, tomilho e tojo, entre outras), aliada ao caráter temperado dos invernos, proporciona boas condições para a apicultura, evidenciando-se o mel da Arrábida. Um outro ex-líbris da região é o Queijo de Azeitão DOP, cujas particularidades se devem às pastagens da Serra da Arrábida, de que se alimentam as ovelhas, e à variedade de flor de cardo, que se utiliza para coagular o leite.

Na doçaria merecem destaque as Tortas de Azeitão, os Barquinhos de Laranja de Setúbal, os Esses de Azeitão, as Fogaças de Palmela, a Farinha Torrada de Sesimbra, os Pastéis de Feijão de Torres Vedras, os Pães-de-Ló do Landal, Painho e Alfeizerão, os Pastéis de Peniche, os Amigos de Peniche (semelhantes na forma aos pastéis de feijão), as Areias Brancas da Lourinhã e as Sardinhas Doces da Nazaré. A doçaria típica desta região traduz, ainda, a forte presença de instituições religiosas como o Mosteiro de Alcobaça, por exemplo. Salienta-se, assim, o Pudim de Ovos dos Frades do Convento de Alcobaça, as Trouxas e Lampreias de Ovos, as Barrigas de Freira, os Tachinhos à Dom Abade e as Cavacas das Caldas da Rainha.

A Estremadura é também uma das maiores regiões vinícolas de Portugal, com especial destaque para a Região Vitivinícola de Óbidos (concelhos de Bombarral, Cadaval, Óbidos e Caldas da Rainha), para a Região Vitivinícola de Alenquer, Arruda e Torres (concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras) e para a Região da Península de Setúbal, que se desdobra em três denominações distintas: DO Palmela, DO Setúbal e IG Península de Setúbal. A região também se distingue pela produção dos vinhos leves, de mais baixo teor alcoólico e pela existência, única no país, da Denominação de Origem Controlada de Aguardente Vínica da Lourinhã.

Principais Eventos Gastronómicos

  • Mostra de Doces Conventuais | ALCOBAÇA (data por anunciar) 
  • Festival das Sopas e Merendas da Labrugeira| ALENQUER (4 a 6 de abril 2025)
  • “Sabores de Almada – Concurso Gastronómico” | ALMADA (2 de maio a 15 de setembro 2025)
  • Mostra Gastronómica Carnes de Capoeira | ARRUDA DOS VINHOS (1 a 31 de maio 2025)
  • A Gula” – Semana Gastronómica do Concelho de Azambuja | AZAMBUJA (1 a 31 de outubro 2025)
  • Festival do Vinho Português / Feira Nacional da Pera Rocha | BOMBARRAL (7 a 12 de agosto 2025)
  • Feira dos Frutos | CALDAS DA RAINHA (27 a 31 de agosto 2025)
  • Festival do Caracol Saloio | LOURES (26 de junho a 13 de julho 2025)
  • Quinzena Gastronómica do Polvo da Lourinhã | LOURINHÃ (9 a 23 de julho 2025)
  • Mostra Gastronómica “Sabores da Tapada Real” | MAFRA (21 a 23 de fevereiro 2025)
  • Feira de Artesanato e Gastronomia da Marinha Grande | MARINHA GRANDE (data por anunciar)
  • Festival Internacional de Chocolate de Óbidos | ÓBIDOS (21 de março a 6 de abril 2025)
  • Festival de Marmelada Branca de Odivelas | ODIVELAS (data por anunciar)
  • Há Prova em Oeiras – Gastronomia e Vinhos | OEIRAS (9 a 11 de maio 2025)
  • Palmela, Experiências com Sabor / Fins-de-Semana Gastronómicos | PALMELA (ao longo do ano)
  • Marisco no Largo | SETÚBAL (data por anunciar)
  • Feira da Maçã Reineta de Fontanelas | SINTRA (data por anunciar)
  • Festival da Sapateira | TORRES VEDRAS (data por anunciar)

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