Ecoturismo: 5 projetos diferenciadores no Mundo

A natureza atrai visitantes há vários anos. Não obstante, os turistas são, cada vez mais, sensíveis às questões ambientais e conscientes dos impactos negativos que as suas viagens podem provocar no planeta, como demonstra o ‘Sustainable Travel Report 2024‘ da Booking.com, onde 83% dos inquiridos confirma que viajar de forma responsável e sustentável é relevante. Do mesmo modo, é também crescente a procura por experiências imersivas centradas na conservação da natureza, como o voluntariado em projetos de conservação ou o envolvimento em iniciativas de turismo sustentável baseadas na comunidade. Não é, portanto, de estranhar a popularidade do ecoturismo nos últimos anos, sobretudo após a pandemia.

O ecoturismo pode ser definido como uma viagem responsável para espaços naturais, com o intuito de usufruir de um maior contacto com a natureza, contribuindo para a conservação do ambiente natural e cultural do destino. Este procura, acima de tudo, minimizar os impactos negativos no meio ambiente, proporcionando experiências educativas e significativas para os visitantes, mas, naturalmente, a importância do ecoturismo não se limita apenas à preservação ambiental. Este também desempenha um papel crucial no desenvolvimento económico sustentável, na educação ambiental e na criação de benefícios para as comunidades locais. Os projetos de ecoturismo são, portanto, exemplos de como é possível equilibrar o desenvolvimento turístico com a conservação do meio ambiente.

Sugerimos, assim, 5 exemplos de projetos de ecoturismo diferenciadores, que dinamizam a oferta turística dos destinos onde se encontram, de forma sustentável.

1. Inkaterra Asociación, Peru

Comprometida com a pesquisa científica como base para a conservação da biodiversidade, educação e bem-estar das comunidades locais, a Inkaterra Asociación é uma organização sem fins lucrativos, pioneira no desenvolvimento de experiências turísticas autênticas e sustentáveis no Peru, que opera com vista à preservação do ambiente natural e cultural do país. Esta trabalha incansavelmente para proteger e restaurar os ecossistemas ameaçados neste destino, especialmente as florestas tropicais, as áreas húmidas e os habitats marinhos. Esta é também responsável pela criação da primeira reserva marinha do Peru, em Cabo Blanco e possui uma rede de alojamentos turísticos, composta por sete propriedades, com localizações privilegiadas, nomeadamente em Tambopata, na região amazónica peruana, em Cusco, em Machu Picchu e no Vale Sagrado dos Incas.

Fatores Diferenciadores:

  • Promoção do desenvolvimento sustentável do território e da melhoria da qualidade de vida das comunidades locais;
  • Compromisso com a preservação de inúmeras espécies de fauna e flora e dos seus habitats naturais;
  • Procura constante por novas abordagens e soluções inovadoras para os desafios ambientais, incorporando tecnologias e práticas de vanguarda nas suas iniciativas de conservação;
  • Desenvolvimento de programas de conservação, educação e desenvolvimento comunitário, com o apoio estratégico de organizações como o Global Environmental Facility, o Banco Mundial, a National Geographic Society, entre outros, com vista à promoção da importância da conservação da natureza e do respeito pelo meio ambiente;
  • Desenvolvimento de cursos-oficinas de conservação ambiental, dirigidos às crianças das escolas de Machu Picchu, Tambopata e Cabo Blanco;
  • Disponibilização de programas de voluntariado;
  • Criação do Centro de Conservação dos Ursos Andinos, no Hotel Inkaterra Machu Picchu Pueblo, em benefício da única espécie de urso da América do Sul;
  • Cada um dos alojamentos da rede foi projetado de forma a gerar o menor impacto ambiental possível, respeitando os recursos e espaços naturais de cada região.

2. Parque Nacional das Galápagos, Equador

O Parque Nacional das Galápagos é uma área protegida de renome localizada nas Ilhas Galápagos. Este arquipélago distingue-se pela sua biodiversidade, pelo que inclui duas áreas protegidas: o Parque Nacional de Galápagos, que cobre 97% da superfície terrestre do arquipélago, e a Reserva Marinha de Galápagos, que protege os ambientes marinhos ao seu redor. Criado com o intuito de proteger as espécies únicas e endémicas da vida selvagem que aqui vivem, este é um dos arquipélagos mais bem preservados e uma referência mundial no que respeita à gestão de ecossistemas frágeis. O Parque Nacional das Galápagos é também um importante centro mundial de investigação científica e de turismo de natureza/ecoturismo.

Fatores Diferenciadores:

  • Património Natural da Humanidade pela UNESCO desde 1978;
  • Reconhecimento como Reserva da Biosfera (declarada pela UNESCO em 1984);
  • Habitat natural de muitas espécies endémicas, como as tartarugas gigantes das Galápagos, as iguanas marinhas, o albatroz ondulado, o falcão de Galápagos, o pinguim de Galápagos, os leões-marinhos, os tubarões-baleia e várias outras espécies marinhas;
  • Compromisso com a conservação e preservação dos ecossistemas das ilhas Galápagos, através da implementação de medidas rigorosas, nomeadamente restrições ao turismo, controlo de espécies invasoras e programas de reintrodução de espécies ameaçadas;
  • Sensibilização e educação ambiental para visitantes e comunidade local, através de palestras, exposições e atividades educativas, de modo a ensinar sobre a importância da conservação e proteção da vida selvagem e da adoção de práticas e comportamentos sustentáveis;
  • Adoção de políticas rígidas de gestão de resíduos, incentivando a redução, reutilização e reciclagem de materiais;
  • Realização de atividades de limpeza para manter as ilhas livres de lixo;
  • Acesso a programas de voluntariado.

3. Choke Mountains Ecovillage, Etiópia

Reconhecida pela Organização Mundial de Turismo como uma das melhores aldeias turísticas de 2022, a Choke Mountains Ecovillage apresenta-se como uma aldeia de ecoturismo que promove a gestão sustentável da terra, através de uma abordagem de turismo de base comunitária. As casas da Choke Mountains Ecovillage são projetadas para minimizar o impacto ambiental, sendo construídas com base em princípios ecológicos e utilizando técnicas de construção sustentáveis e materiais locais. Além disso, tanto os residentes como os visitantes são encorajados a adotar práticas de agricultura orgânica e a preservar a biodiversidade local. Para além da preocupação com o meio ambiente, esta ecovila promove a coletividade e o bem-estar dos seus habitantes, ao promover a interação social e a partilha de recursos, através de espaços comuns para atividades recreativas, hortas comunitárias e áreas de lazer.

Fatores Diferenciadores:

  • A comunidade agrícola local vive em harmonia, adaptando a ideologia da Ecovila Mulu, que alia o turismo responsável com a conservação e preservação da natureza, da comunidade local e das suas tradições;
  • Os residentes têm a oportunidade de aprender sobre agricultura orgânica, conservação dos recursos naturais, técnicas de permacultura e outras práticas que promovem um estilo de vida mais sustentável;
  • Oferta de programas educacionais e workshops para capacitar, tanto os residentes, como os visitantes a viver de forma sustentável e consciente;
  • Desde os materiais de construção sustentáveis até ao uso de sistemas eficientes de energia renovável e gestão de resíduos, todos os aspetos deste projeto são cuidadosamente planeados para minimizar o impacto ambiental.

4. Ecocamp Patagonia, Chile

Situado no Parque Nacional Torres del Paine, o Ecocamp Patagonia é um acampamento de luxo, fundado com o intuito de oferecer uma experiência de alojamento única e sustentável, em harmonia com a natureza. Inspirados nas antigas tribos indígenas da região, foram criados domos geodésicos totalmente eco-friendly, procurando oferecer simultaneamente conforto e integração com a natureza. Estes domos foram desenvolvidos de forma a causar o mínimo impacto possível no ambiente, tendo sido instalados sobre estruturas de madeira.

Fatores Diferenciadores:

  • Localização central no Parque Nacional Torres del Paine, o que oferece uma imersão total na natureza e na cultura da Patagónia;
  • Primeiro alojamento de domos geodésicos, tendo, desde então, inspirado outros alojamentos similares por todo o mundo;
  • Preocupação constante com o ambiente e sustentabilidade do território (exs.: utilização de energia solar e hidráulica; sanitários ecológicos; política de carbono neutro, práticas de gestão de resíduos);
  • Educação ecológica dos hóspedes (sensibilização para a importância da preservação da natureza e da sustentabilidade);
  • Participação num programa de reflorestação com a AMA Torres del Paine.

5. Biosphere Expeditions

A Biosphere Expeditions é uma organização sem fins lucrativos, que disponibiliza expedições internacionais de investigação e conservação da natureza. Esta tem como principal objetivo promover viagens de voluntariado e de expedição de ciência cidadã (viagens com impacto positivo e ligadas à ciência, que permitem aos turistas trabalhar lado-a-lado com cientistas e investigadores em diferentes projetos), um pouco por todo o mundo, com vista à recolha de dados sobre a vida selvagem e os ecossistemas. A Biosphere Expeditions tem, atualmente, 11 viagens/ expedições disponíveis em países como os Emirados Árabes Unidos, Portugal, Costa Rica, Tailândia, África do Sul, entre outros.

Fatores Diferenciadores:

  • Investimento de mais de 4 milhões de euros em projetos de voluntariado de conservação da natureza e vida selvagem a nível mundial e de mais de 1,5 milhões em projetos de comunidades locais;
  • Uma das viagens promovidas localiza-se no Arquipélago dos Açores, em Portugal, onde a vida marinha assume especial importância;
  • Preocupação com a sustentabilidade dos territórios, pelo que procuram minimizar o seu impacto ambiental, através da redução dos resíduos e da utilização eficiente da água, por exemplo;
  • Colaboração com cientistas respeitáveis, instituições de investigação e estabelecimentos de ensino especialistas nas áreas de atuação;
  • Membro acreditado da União Internacional para a Conservação da Natureza, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, da Fundação Reef Check, da European Citizen Science Association, da Marine Conservation Society e do Cambridge Conservation Forum;
  • Publicação de relatórios das expedições e artigos científicos em revistas e jornais especializados.

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